sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Relacionamento publicitário

E se os nossos relacionamentos fossem como o mercado publicitário?!
Abriríamos concorrência para escolher um namorado. Passaríamos um briefing incompleto, como os que geralmente chegam dos clientes, disponibilizaríamos uma verba mensal para saídas e espereríamos por algo que fizesse nosso queixo cair.
Os candidatos fariam pesquisas com amigos, familiares, casais felizes e outras mulheres solteiras. Traçariam um perfil, nos analisariam da cabeça aos pés, física e psicologicamente. Fariam um planejamento, definiriam planos, metas, objetivos e depois apresentariam a mais surpreendente campanha.
Entre as peças: roteiros de viagens, mensagens sedutoras, imagens fantásticas.
Depois de tudo isso, escolheríamos o que mostrou mais potencial, o que mais surpreendeu e aquele que parece conseguir atingir todas as suas metas. Escolheríamos e assinaríamos um contrato anual.
Depois de uns seis meses a gente veria que existem pessoas que fazem o mesmo trabalhabo cobrando muito menos. E os que cobram o que pagomos fazem um trabalho muito melhor.
É o mercado, é o mercado...


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Gloriosa

Acho que eu tinha 25 anos quando conheci a Beatriz. Menina bonita, até demais. Trabalhávamos no mesmo escritório de advocacia, ela advogada recém formada e eu administrador.
Beatriz era conhecida por todos no prédio onde ficava o escritório. Nem sempre pelo nome ou profissão, mas de alguma forma, os outros a conheciam. Ela era diferente das mulheres que freqüentavam aquele lugar. Não era fresca, nem metida, era feliz. Era linda e sabia disso... Mas convivia como ninguém com as próprias qualidades. Beatriz ria, tinha estilo e era extremamente dedicida. Demorei um bom tempo para conversar com ela, todos esses itens me metiam medo.
Ela desfilava com o carro do ano e com bolsas e sapatos que matavam qualquer mulher de inveja, também trabalhava só a tarde. Por essas peripércias, o pessoal do escritório criou parentescos e casos diversos com a chefia para explicar a capacidade de transfomar um salário de R$1.000,00 em tanto luxo. Pra mim, ela era filha de pai rico e pronto. Nenhum homem daquele escritório era homem suficiente pra ela. Bem que queriamos, mas nem tentávamos.
A Beatriz rondou meus pensamentos por várias noites. Entre várias mulheres. Entre meus momentos mais solitários. O cheiro dela no elevador era suficiente...
Aos 27 eu realmente conheci a Beatriz. Ela já não tinha mais os 23 anos que mexiam com a minha imaginação, mas tinha tudo que mexia com meu corpo inteiro. Lembro perfeitamente de como começamos a conversar. E não foi no escritório. Ela estava toda de branco, com 3 amigas tomando uma grande chuva. Estava ensopada, no meio da cidade. Passei de carro e fiquei anestesiado com aquela cena. Desci para oferecer ajuda... Em vão. Elas queriam estar ali. Entrei na brincadeira e comecei a dançar com as garotas... Duas eram engenheiras e outra bailarina. Encantadas.
As horas se passaram e nem percebemos. Quando nos demos conta, o dia amanhecia. Ofereci então minha casa para trocarem de roupa e se secarem, estávamos ao lado. Elas aceitaram e foram o motivo da minha melhor lembrança.
As roupas ficaram pelo caminho e, nesse ponto, já conhecíamos demais uns dos outros. Ninguém dormiu. Ninguém se queixou.
Quando cheguei para trabalhar, estava realizado. Mais que realizado, estava transbordando. Beatriz chegou um pouco depois e sorriu pra mim. Só ela não estava sem graça. Depois de alguns minutos ela deixou um bilhete na minha mesa... Era a conta daquela noite.
Beatriz, a moça linda e avassaladora só representava a advocacia. O carro, as bolsas e sapatos eram sustentados pela noite. E por prazeres como os que eu tive.
Mas foi um ótimo investimento.

sábado, 10 de outubro de 2009

A semana de Aline

Segunda-feira
Passei o final de semana inteirinho trabalhando no projeto daquele parque aquático para maiores de 65 anos. Sabia que tava levando para a reunião um dos melhores projetos arquitetónicos que já fiz. A reunião com o cliente era logo depois do almoço. Fiquei tão ansiosa que nem consegui comer.
2h de reunião.
Eles odiaram. Não gostaram de nada, nem da ideia nem da execução. Detestaram as formas, as cores e toda a estrutura. E eu fiz TUDO exatamanete como eles queriam. Odeio cliente. E ainda por cima, tô faminta. Próximo dia, por favor.

Terça-feira
No escritório as coisas estão terríveis. As pessoas estão estressadas umas com as outras. E eu tenho que refazer um projeto de 20 dias em 3. Vou abstrair. Respira. Para. E vamos lá.
Sai bem tarde do escritório e fui pra um barzinho encontrar as meninas. Nossa, precisava muito de qualquer coisa alcoolica. E o que acontece? Eu sentadinha, linda, tomando minha caipirinha e a merda do Paulo entra... com outra! Tá, a gente já terminou há 1 mês; mas ele já tá com outra assim?! Saindo numa terça-feira?! Próximo dia!

Quarta-feira.
Choveu. Choveu demais. Meu carro foi arrastado e ficou cheio de água. Tomei chuva. Muita chuva. E ainda trabalhei até 3:27h da manhã. Isso explica como foi o meu dia. Próximo.

Quinta-feira.
Carro na oficina.
Meu Deus, é quinta feira! Eu parei de tomar o anticoncepcional na sexta e não fiquei menstruada até hoje! Tinha que ter ficado na segunda, no máximo na terça. E agora?! Será que eu tô grávida? Acho que eu nem tenho o telefone daquele carinha que eu fiquei depois da Sensation. Sabia que eu não devia ter ido pra casa dele, alguma coisa me falava isso. Burra! Vou comprar um teste de gravidez na farmácia.
Pra completar meu chefe disse que estou despedida se o cliente do parque aquático cancelar o projeto.
Grávida, sem carro e sem trabalho. Próximo.

Sexta-feira.
Não consigo pensar no projeto. Não consigo fazer. Lá se vai mais um final de semana...
Decidi que precisava fazer compras, pra aliviar essa semana cabulosa. Entrei numa loja e pedi uma calça 38: não serviu! Visto 38 desde que sai da adolescência. Grávida, sem carro, sem trabalho e... Gorda! Sensacional.
Liguei pro Paulo, precisava conversar com alguém, ele não me atendeu, viado!
Tive uma ideia: viajar no sábado. Algum hotel-fazenda-SPA, pra eu me distrair, terminar o projeto e fazer um regime. Liguei no escritório e pedi pra secretária fazer uma reserva. Aproveitei que tava na rua e fui no banco tirar dinheiro pra viajar. Cadê o meu cartão? Fudeu! Os bancos estão em greve e o meu cartão sumiu. PRÓOOOXIMO!

Sábado.
Só uma coisinha: perdi a merda do ônibus pra viajar.
Possivelmente grávida, despedida, gorda, sem carro, sem dinheiro e sozinha em SP em pleno sábado de feriado.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Cenas

Aos 4 anos:
- Mãe, por que as pessoas tem orelhas? Orelhas são feias.
- Pra escutar...
- Mas num podia ser só um buraquinho?!
- Ué Gabi, imagina como seria estranho se elas não tivessem orelhas, mas buraquinhos...
- Ia ser bonito! Todos os meus desenhos são sem orelhas e você sempre fala que eles são lindos...

Aos 8 anos:
Gabi e Gabriel num restaurante chiquérrimo em SP, enquanto seus pais jantavam:
- Gabriel, vamos apostar quem bebe refrigerante mais rápido?!
- Vamos!
- Pede mais refri então...
- Duas garrafas?
- Duas pra cada...
(Gabriel pede duas garrafas de coca-cola pra cada um). Gabi acaba primeiro.
- ACABeeei...
E olhando para a cara do amiguinho, vomita toda o refrigerante que bebeu.

Aos 13 anos:
Em Campo Belo tinha um parque. E no parque tinha um brinquedo que rodava (Interpraise). Gabi estava no parque com os primos e uns amigos de São Paulo.
- Alguém vai no Interpraise comigo?
CORO: - Não!
- Por favooor! Eu quero muito ir...
Depois de muita insistência, Felipão resolve acompanhar a menina.
- Vai Gabi, eu vou com você...
- Eba!
No brinquedo, as pessoas eram colocadas em dupla dentro de uma cabine, um sentava em cima e o outro sentava embaixo.
- Gabi, vc tá sentindo uma água dentro disso aqui?
(Gabi, rindo muito) - Felipão, desculpa, fiz xixi...


E eu não tenho vergonha de contar!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Intensidade

Noite.
Toque. Cheiro. Expressão.
Calor. Suspiro. Fogo. Tesão.
Mãos. Duas. Três. Quatro.
Pernas.
Suor.
Lambidas. Desejo.
Abraços. Amasso.
Bocas.
Pele. Corpo. Nu.
Gritos. Gemidos. Delírios.
Gozo.
Respiração. Musculos. Emoções.
Razão.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A verdade nua e crua (I)

Terça feira, 12 de setembro.
Ele saiu do trabalho e foi direto pra casa, tinha um compromisso. Tomou um banho demorado e aparou a barba. Escolheu uma das várias blusas pretas que tinha no armário, se perfumou e calçou seu tênis novo. Entrou no carro e escolheu a música certa para aquele momento.
Já tinha feito a reserva no Vecchio Sogno e até escolhido o vinho. Um vinho tinto encorpado, Cabernet Sauvignon. Tudo preparado para uma noite perfeita.
Passou na casa dela e seguiram para o restaurante. Ela estava encantada com o cara que esperou do lado de fora do carro, só para abrir a porta e entregou um botão de rosa.
- Você está linda, Tatiana.

Quarta feira, 13 de setembro.
Ele saiu do trabalho e foi direto pra casa. Tomou um banho e aparou a barba. Escolheu outra das várias blusas pretas que tinha no armário e se perfumou. Entrou no carro e colocou a mesma música da noite anterior.
A reserva no Vecchio Sogno estava confirmada e o mesmo Cabernet Sauvignon separado. Tudo preparado para outra noite perfeita.
Passou na casa dela e seguiram para o restaurante. Ela estava encantada com o cara que esperou do lado de fora do carro, só para abrir a porta e entregou um botão de rosa.
- Você está linda, Dani.


Quinta feira, 14 de setembro.
Tomou um banho e escolheu outra das várias blusas pretas, se perfumou. Entrou no carro e colocou a mesma música. Foram para o mesmo restaurante e beberam o mesmo vinho. Tudo preparado para outra noite.

Passou na casa dela. Ela estava encantada com o cara que abriu a porta do carro e entregou um botão de rosa.
- Você está linda, Paula.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Nada convencional

Elas se conheceram numa noite, em algum aniversário por aí e já caíram na gandáia. Uma noite despretensiosa, só para fugir de alguns problemas. Eram quatro meninas querendo se divertir, e nada mais.
Ignoraram até o fato de serem quase as primeiras a chegar na festa. Ignoraram o fato dos seguranças ficarem olhando. Ignoraram tudo. Só não ignoraram a presença de uma outra garota.
Sozinha, num canto da boate, bebendo uma cerveja. No mínimo estranho. É bem difícil encontrar uma mulher que encare uma balada sozinha. Cinema, show, teatro...até vai, mas balada, não dá!
Do grupinho das quatro meninas, uma resolveu ser solidária e se socializar. Contra a vontade das outras, que fizeram um julgamento antecipado péssimo (qual é a primeira coisa que pensamos quando vemos uma mulher sozinha numa boate?!) ela foi:
- Oi...
- Oi!
- Tudo bem?
- Tudo e com vc?
- Também. Você está esperando alguém?
- Não, estou sozinha...
- Sério? Sozinha mesmo? Que coragem! Admiro gente de atitude...
(as outras três da turma, que ficaram afastadas, faziam sinais frenéticos para que a amiga saisse dali, mas não adiantou...)
- É, não é muito comum, né?! Mas eu estou precisando me divertir. Terminei um relacionamento recentemente.
- Ah é?!
(outra garota da turma se aproxima, afinal, a solitária parece legal. As outras continuam desconfiadas)
- É...
- E você tá bem? Ou está sofrendo? Ainda gosta dele?
- Estou sofrendo muito. Amo ele.
- Nossa, então por que você não tenta ficar com ele? Conversa com ele...
- Ah, não dá...
- Por que?
- Ele descobriu que eu sou homem.